Encantamento
(não é para se saciar, é para se saborear)
Sabe alguém que a gente conhece e, de repente, nos envolvemos em assuntos, pequenas confidencialidades, muitas afinidades e um tempo que nem parece ter passado?
Então, momento raro, meio que um presente da vida: uma pessoa especial, ser humano incrível, encantador.
Não é paixão, nem tesão, nem chegou ao tempo de amizade, é apenas encantamento puro, simples, motivador e que preenche nosso ser com a química da felicidade.
Aí, em meio a esta magia chamada encantamento, nossa moral, nossos dogmas, nosso senso de fidelidade conjugal ou nossa pseuda ética nos cobram, intimidam, inibem e criam uma batalha interna (desnecessária, penso).
Por que não deixar acontecer, não extrair deste momento seu sumo, saboreando o sabor do sentimento, extraindo dele este néctar delicioso?
Não precisa chegar a lugar algum, um beijo ou terminar numa cama, precisa apenas ser vivido, intermeado por sonhos, ousados, até, mas, principalmente, ser sentido puro e livremente, para que se goze da companhia um do outro, para que se possa expandir os horizontes desta presença e assim se permitir, simplesmente, viver saboreando o instante raro.
O que fazemos? Evitamos, amedrontados com o perigo de sair do comum ou dominados por nossos conceitos de moral e fidelidade.
Seria infidelidade apenas se permitir encantar e deixar fluir?
Aí está o seio de tudo, a resposta que cada um vai dar depende de seu olhar, de sua coragem, de seu domínio de si, de seu entendimento sobre a liberdade que pode ter para experimentar sensações ou de sua coragem.
Então,encantar-se é um exercício de liberdade sobre seu corpo e alma ou é um lugar perigoso para onde não devemos nos permitir ir?
Magnus 01/11/2025